E não é que o bicho existe mesmo?!

28 de Novembro de 2009

Pois é, pelos vistos há provas fotográficas (segundo fonte das Nações Unidas) de um crocodilo na praia da Areia Branca, há umas duas semanas…

O bicho deve ser tímido, porque ainda ontem fui almoçar à praia, e nem vê-lo…

Hoje há festa na Areia Branca, e pode ser que ele se digne a aparecer outra vez.


E mais uma viagem!

27 de Novembro de 2009

Mais um fim-de-semana, mais uma viagem por terras de Timor. Desta vez fomos só três, a caminho do Sul, e de mais algumas estradas durinhas.

A primeira paragem foi em Gleno, onde fizemos uma das visitas mais originais desta estada em Timor – fomos à prisão local. Devem perguntar-se se é difícil entrar na prisão. Nada mais fácil! Apesar de estarmos de T-shirt e havaiana no pé, foi só ir ao portão, dizer que éramos advogados portugueses (tecnicamente, um advogado, um estagiário, e um futuro estagiário, mas não quisemos maçar os guardas com preciosismos), e que queríamos conhecer as instalações… Nem é preciso revista, basta assinar à entrada, e tivemos logo direito a visita guiada.

E posso dizer-vos que as condições não são nada más. A prisão foi restaurada há uns anos e, apesar de ter entre a população “residente” alguns homicidas, o ambiente parece calmo. Tomara que muitas prisões portuguesas estivessem tão bem!…

Depois deste desvio cultural, seguimos a caminho de Maliana. Como já é hábito, acabámos por levar pessoas à boleia, neste caso uma velhota e o neto, tendo este tido a honra de ser o terceiro ou quarto timorense a vomitar-nos o carro…

A paisagem nesta zona, e até Bobonaro, intercalando floresta e montanha, é das mais bonitas do país.

Entretanto, antes de chegar ao nosso destino do dia, a estrada acaba subitamente na Ribeira de Lois!

Ao longe, está o nosso objectivo…

Pedem-se algumas indicações…

E lá vamos nós a caminho!

Em Maliana, depois de tentarmos ir fazer uma visita às professoras de Português residentes, (para pedir informações, claro! Estavam em Díli a passar o fim-de-semana…) jantámos à luz das velas (a vila esteve sem electricidade durante boa parte da noite) num “restaurante típico” e fomos dormir à “pousada” local. Foi uma noite miserável, com um calor insuportável, sem água, e com uma comitiva itinerante das Nações Unidas a acordar toda a gente às 5 da manhã…

Todos moídos da estrada e da dormida “repousante”, encaminhámo-nos para o ponte de interesse do dia – as termas da aldeia de Marobo. Entre as ruínas das antigas instalações termais, ainda lá estão as piscinas de água a escaldar e a tresandar a enxofre.

Não se deixem enganar pelas fotos! Entrar naquela água é quase o mesmo que ser cozido vivo e, pelos vistos, na época das chuvas é impossível tomar banho, por causa do calor.

Mas as actividades balneares do dia ainda não tinham acabado. Uns quilómetros depois de Bobonaro, na zona de Atsabe, encontrámos um rio com uma série de cascatas e piscinas naturais. Era altura de mais uma paragem para descanso.

Um bocado mais frescos, lá partimos para o troço final da viagem, de volta a Díli.


A caminho do Sul

4 de Novembro de 2009

Ora cá está o muito aguardado relato de mais uma viagem por terras de Timor.

O fim-de-semana por cá foi prolongado – o dia 2 é feriado – e os timorenses fizeram-se à estrada para visitar os cemitérios. Para não ficarmos atrás, preparámos uma das nossas expedições.

Três professores, guiados por outros tantos alunos de informática, não satisfeitos com a experiência do Ramelau, decidiram subir ao Matabien. Eu e o Miguel, que tratámos de nos informar primeiro sobre as condições, achámos que era mais inteligente fazer um passeio de todo-o-terreno, enquanto servíamos de taxistas.

A rota foi traçada – Díli, Baucau, Laga, Lautém, Los Palos, Iliomar, Huato Carbau, Baguia e regressar a Díli. Como o troço de Los Palos até Huato Carbau faz parte da famosa estrada Viqueque-Los Palos, considerada mais ou menos intransitável durante todo o ano, e intransponível na época das chuvas, trocámos a nossa carrinha por uma montada mais capaz, e carregámos o equipamento de desatascanço.

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Depois de deixarmos os alpinistas em Baucau, onde apanharam uma mikrolet para Baguia, lá seguimos caminho. A zona sudeste da ilha merece claramente o passeio. Tem algumas das paisagens mais bonitas (e mais variadas) de Timor, alternando montanha com planícies e arrozais e também, finalmente, rios com água.

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Quanto à estrada, digamos que é um bocado pior que as portuguesas…

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Normalmente não tem alcatrão, só gravilha ou pedras. Existem algumas pontes novas, mas muitas são apenas um amontoado de calhaus que ajuda a passar o rio a vau. Também há algumas, muito “seguras”, que são feitas com troncos… Um aluno, deputado no Parlamento, e que também andava por aquela zona, disse-nos ontem que uma das pontes que atravessámos caiu umas horas depois da nossa passagem…

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Voltando ao tema dos rios, descobrimos um espectacular – o Irabere. Antes de chegar a Huato Carbau deu para tomar um excelente banho com um elemento raro em Timor – água fria.

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Quanto reencontrámos os nossos colegas em Baguia, um dos alunos que estava a servir de guia disse-nos que havia crocodilos naquele rio, e que um familiar dele tinha sido morto há uns tempos. Obviamente pensámos que ele estava a gozar. Afinal os crocodilos não vão até tão longe no interior, subindo às montanhas, para caçar junto de uma localidade onde havia putos a nadar e senhoras a lavar a roupa, certo?… O tal deputado confirmou a informação…

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Em Baucau, onde dormimos na pousada local, há uma praia excelente…

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Mas, mais uma vez…

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Pelos vistos deu à costa há uns tempos um braço e uma perna! Tomar banho em Timor é uma emoção.

No último dia estávamos prontos para um regresso tranquilo a Díli… Ou talvez não.

Um dos pneus tinha ficado sem ar durante a noite. Como tivemos outro furo quando estávamos a cerca de 2 horas de Díli, ficámos apeados. O Miguel foi com um aluno e com um pneu, à procura de uma oficina. Entretanto, as senhoras do grupo, lealmente, apanharam uma boleia e voltaram a casa sozinhas, enquanto o resto do pessoal lá ficou a torrar ao sol à beira da estrada.

Algum tempo depois, há uma visão estranha no horizonte…

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Um problema resolvido. Claro que logo depois descobrimos que o macaco do jipe estava avariado!…

Com muitas horas de atraso, e depois de pararmos para reparar o pneu sobresselente, lá chegámos a Díli, . Estacionámos o jipe, começámos a descarregar a tralha e a preparar-nos para um merecido descanso, quando furou outro pneu…


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