











Olá pessoal! Tenho andado afastado da internet, mas hoje deu para tirar uns minutos e actualizar as novidades de Timor.
A vida por cá anda calma. No fim-de-semana, e também no meu dia de folga, há sempre aquela escolha difícil – Praia da Areia Branca, Praia do Dólar, Praia dos Coqueiros, Praia de Taci Tolo… É mesmo cansativo… Estou a ficar com um bronze de categoria, mas quando voltar a Portugal, ainda me param no aeroporto para ver se não sou um perigoso terrorista.
Quanto às aulas, tudo normal. Na 2ª feira dei teste às minhas duas turmas. Quatro horas a olhar para os meus “meninos” e a tentar fazer cara séria, não fosse alguém pensar em copiar.
Já estou a fazer as correcções e, numa das turmas, entre algumas pérolas do Direito, vou dar quase 50% de negativas… Sinto-me mesmo um professor formado na gloriosa FDL… O que vale é que a outra parece estar um bocadito melhor.
Este fim-de-semana, como o dia 2 é feriado em Timor, temos mais uma das nossas expedições, desta vez com subida ao Matabian. Vamos trocar a nossa carrinha por um Pajero e, enquanto alguns bravos fazem a escalada, o Miguel e eu vamos fazer um bocado de todo o terreno, deixando os alpinistas numa encosta e, se tudo correr como previsto, apanhando-os na outra. Pelo meio, estamos a contar com um acampamento no meio do mato e, talvez, uma visita às cerimónias fúnebres da avó de um aluno do curso de Informática (não estou a gozar…)
Entretanto, e para quem acompanha o blog Por Ti Mor, já sabe que andamos a pontuar as boleias que cada um de nós apanha. Infelizmente, o regulamento do jogo não se aplica retroactivamente, porque já tenho no “currículo” um jipe da polícia da UN, a caixa de carga de uma pick-up da UN, a caixa de carga de um camião das obras, um jipe com uma das misses locais a bordo, uma mikrolet, um jipe de um deputado… Nada mau.
O Santo Gral das boleias é apanhar um helicóptero militar, à noite, com o Presidente da República a bordo, e com uma das misses locais ao colo – 27 pontos. Mas como sou mais modesto, um dia destes quero ver se venho da praia num camião do saneamento público, ou numa retro-escavadora. Eu sei, são divertimentos de gente simples, mas é o que se arranja por cá…
Até ao meu próximo post, fiquem bem!
E já está! Já sou um mergulhador certificado.
Este fim-de-semana fiz os 4 mergulhos de mar (o mais profundo foi a 18,5m) e acabei os testes, portanto já sou “Open Water Diver”… É mais um curso para o currículo.
Agora é recuperar, melhorar um bocado a forma e, talvez daqui a uns tempos faça o nível Avançado (certificação até à profundidade limite de 40m), porque isto vale mesmo a pena, sobretudo em Timor, que é um dos melhores locais do mundo para o mergulho.
Infelizmente não tirámos fotos, mas como ainda temos mais um mergulho de mar de oferta, ainda devo conseguir pôr aqui umas imagens da minha figura elegante num “wetsuit”…
Não, ainda não é desta que deixo aqui o relato da minha difícil subida ao Ramelau.
Tenho andado ocupado com as aulas na UNTL (claro), mas também, e para quem não sabia, com as aulas de mergulho. As aulas teóricas estão feitas, e o treino em piscina também (nem imaginam o quão elegante eu fico com um fato de mergulho completo…).
Amanhã começam as provas de mar, na zona do “Dili Rock”. Estou cada vez mais perto de ser um “Open Water Diver” certificado!
Por isso já sabem – se eu não escrever nas próximas semanas, enviem flores…
Nos últimos dias não me tem sido possível actualizar o blog, em parte devido ao preenchimento da minha agenda, mas também, e sobretudo, pelo choque com que tenho recebido certos (e determinados…) comentários quanto à suposta qualidade da vida que tenho aqui em Timor.
Com0 calculam, para evitar ferir susceptibilidades, e para poupar preocupações desnecessárias à minha família, certas (e, mais uma vez, determinadas…) informações têm sido ocultadas. Pois hoje o verdadeiro horror vai ser posto a nú.
Em primeiro lugar, a insegurança é permanente, e por isso só nos deslocamos em caravana, com escolta das Nações Unidas.

O “Grande Irmão” está sempre vigilante…

O ambiente é opressivo, e os cemitérios cobrem as colinas…
As supostas praias paradisíacas têm água gelada. O Miguel, apesar do cobertor, não se salvou da hipotermia…
Todas as viagens, por mais curtas que sejam, implicam elevados sacrifícios. É preciso atravessar obstáculos inesperados…
E frequentemente a estrada desaparece sobre os nossos pés (ou rodas)…
Isto claro, quando não é cortada por manadas de búfalos (o que não é mau de todo – podemos comer os que atropelamos).
Quando não temos a sorte de matar um búfalo ou um cabrito, temos que nos contentar com o peixe que conseguirmos apanhar.
À noite temos que partilhar um quarto e dormir no chão, à mercê dos insectos e das cobras.

Tudo isto dá cabo de uma pessoa… Eu afogo as mágoas no álcool. A Eliana, uma das minhas colegas de casa, já sucumbiu ao tabaco (ou pior, quem sabe…)
E por aqui fica a minha triste história de hoje.
Nos próximos capítulos, não percam:
- Praia do Dólar (ou como um helicóptero da Guarda Costeira Australiana se divertiu a fazer rapadas por cima de banhistas portugueses indefesos)
- Subida ao Ramelau (ou como escalar montanhas apesar de ter “complicações digestivas”…)
- Festa da GNR