Mais uma foto

11 11UTC Dezembro 11UTC 2009

Já me ia esquecendo da minha promessa de pôr aqui uma foto do mergulho. A pedido de muitas famílias, cá está ela:

Elegante… E com quase 20kg de equipamento em cima do lombo…

Já agora, já sou Advanced Open Water Diver, com certificação para mergulho nocturno e até 30m de profundidade.


Eles andam aí!

8 08UTC Dezembro 08UTC 2009

Parece que as palavras do meu último post foram proféticas. No mesmo dia, por volta das onze e picos da noite, andava eu descansado na Praia da Areia Branca, quando vi o bicho!

Devia ter entre um metro e um metro e meio, nada de muito impressionante, mas o suficiente para dar cabo de uma ida à praia. E o crocodilo lá andou descontraído a nadar e a comer, durante quase uma hora, com uma vintena de pessoas a assistir.

Mais ao largo estava outro crocodilo, mais pequeno. Ao que parece, a mãe deles tem andado a dormir num mangal ao pé da Areia Branca nas últimas três semanas. E essa já é um bocadito maior…

Uns dias depois fomos visitar os dois crocodilos que as Forças de Defesa de Timor Leste guardam no quartel de Metinaro. Chamam-se António e Maria, e comem uma galinha de quinze em quinze dias.

O António mete respeito…

Continuando na mesma onda, fomos ver também um crocodilo de estimação, guardado num tanque, numa casa aqui em Dili. Tem o pouco digno nome de Lafi, diminutivo de Lafaiek (crocodilo, em Tétum), e também se sustenta com umas galinhas e uns cães de vez em quando…

As idas à praia tornaram-se muito mais interessantes…


E não é que o bicho existe mesmo?!

28 28UTC Novembro 28UTC 2009

Pois é, pelos vistos há provas fotográficas (segundo fonte das Nações Unidas) de um crocodilo na praia da Areia Branca, há umas duas semanas…

O bicho deve ser tímido, porque ainda ontem fui almoçar à praia, e nem vê-lo…

Hoje há festa na Areia Branca, e pode ser que ele se digne a aparecer outra vez.


E mais uma viagem!

27 27UTC Novembro 27UTC 2009

Mais um fim-de-semana, mais uma viagem por terras de Timor. Desta vez fomos só três, a caminho do Sul, e de mais algumas estradas durinhas.

A primeira paragem foi em Gleno, onde fizemos uma das visitas mais originais desta estada em Timor – fomos à prisão local. Devem perguntar-se se é difícil entrar na prisão. Nada mais fácil! Apesar de estarmos de T-shirt e havaiana no pé, foi só ir ao portão, dizer que éramos advogados portugueses (tecnicamente, um advogado, um estagiário, e um futuro estagiário, mas não quisemos maçar os guardas com preciosismos), e que queríamos conhecer as instalações… Nem é preciso revista, basta assinar à entrada, e tivemos logo direito a visita guiada.

E posso dizer-vos que as condições não são nada más. A prisão foi restaurada há uns anos e, apesar de ter entre a população “residente” alguns homicidas, o ambiente parece calmo. Tomara que muitas prisões portuguesas estivessem tão bem!…

Depois deste desvio cultural, seguimos a caminho de Maliana. Como já é hábito, acabámos por levar pessoas à boleia, neste caso uma velhota e o neto, tendo este tido a honra de ser o terceiro ou quarto timorense a vomitar-nos o carro…

A paisagem nesta zona, e até Bobonaro, intercalando floresta e montanha, é das mais bonitas do país.

Entretanto, antes de chegar ao nosso destino do dia, a estrada acaba subitamente na Ribeira de Lois!

Ao longe, está o nosso objectivo…

Pedem-se algumas indicações…

E lá vamos nós a caminho!

Em Maliana, depois de tentarmos ir fazer uma visita às professoras de Português residentes, (para pedir informações, claro! Estavam em Díli a passar o fim-de-semana…) jantámos à luz das velas (a vila esteve sem electricidade durante boa parte da noite) num “restaurante típico” e fomos dormir à “pousada” local. Foi uma noite miserável, com um calor insuportável, sem água, e com uma comitiva itinerante das Nações Unidas a acordar toda a gente às 5 da manhã…

Todos moídos da estrada e da dormida “repousante”, encaminhámo-nos para o ponte de interesse do dia – as termas da aldeia de Marobo. Entre as ruínas das antigas instalações termais, ainda lá estão as piscinas de água a escaldar e a tresandar a enxofre.

Não se deixem enganar pelas fotos! Entrar naquela água é quase o mesmo que ser cozido vivo e, pelos vistos, na época das chuvas é impossível tomar banho, por causa do calor.

Mas as actividades balneares do dia ainda não tinham acabado. Uns quilómetros depois de Bobonaro, na zona de Atsabe, encontrámos um rio com uma série de cascatas e piscinas naturais. Era altura de mais uma paragem para descanso.

Um bocado mais frescos, lá partimos para o troço final da viagem, de volta a Díli.


A caminho do Sul

4 04UTC Novembro 04UTC 2009

Ora cá está o muito aguardado relato de mais uma viagem por terras de Timor.

O fim-de-semana por cá foi prolongado – o dia 2 é feriado – e os timorenses fizeram-se à estrada para visitar os cemitérios. Para não ficarmos atrás, preparámos uma das nossas expedições.

Três professores, guiados por outros tantos alunos de informática, não satisfeitos com a experiência do Ramelau, decidiram subir ao Matabien. Eu e o Miguel, que tratámos de nos informar primeiro sobre as condições, achámos que era mais inteligente fazer um passeio de todo-o-terreno, enquanto servíamos de taxistas.

A rota foi traçada – Díli, Baucau, Laga, Lautém, Los Palos, Iliomar, Huato Carbau, Baguia e regressar a Díli. Como o troço de Los Palos até Huato Carbau faz parte da famosa estrada Viqueque-Los Palos, considerada mais ou menos intransitável durante todo o ano, e intransponível na época das chuvas, trocámos a nossa carrinha por uma montada mais capaz, e carregámos o equipamento de desatascanço.

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Depois de deixarmos os alpinistas em Baucau, onde apanharam uma mikrolet para Baguia, lá seguimos caminho. A zona sudeste da ilha merece claramente o passeio. Tem algumas das paisagens mais bonitas (e mais variadas) de Timor, alternando montanha com planícies e arrozais e também, finalmente, rios com água.

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Quanto à estrada, digamos que é um bocado pior que as portuguesas…

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Normalmente não tem alcatrão, só gravilha ou pedras. Existem algumas pontes novas, mas muitas são apenas um amontoado de calhaus que ajuda a passar o rio a vau. Também há algumas, muito “seguras”, que são feitas com troncos… Um aluno, deputado no Parlamento, e que também andava por aquela zona, disse-nos ontem que uma das pontes que atravessámos caiu umas horas depois da nossa passagem…

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Voltando ao tema dos rios, descobrimos um espectacular – o Irabere. Antes de chegar a Huato Carbau deu para tomar um excelente banho com um elemento raro em Timor – água fria.

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Quanto reencontrámos os nossos colegas em Baguia, um dos alunos que estava a servir de guia disse-nos que havia crocodilos naquele rio, e que um familiar dele tinha sido morto há uns tempos. Obviamente pensámos que ele estava a gozar. Afinal os crocodilos não vão até tão longe no interior, subindo às montanhas, para caçar junto de uma localidade onde havia putos a nadar e senhoras a lavar a roupa, certo?… O tal deputado confirmou a informação…

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Em Baucau, onde dormimos na pousada local, há uma praia excelente…

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Mas, mais uma vez…

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Pelos vistos deu à costa há uns tempos um braço e uma perna! Tomar banho em Timor é uma emoção.

No último dia estávamos prontos para um regresso tranquilo a Díli… Ou talvez não.

Um dos pneus tinha ficado sem ar durante a noite. Como tivemos outro furo quando estávamos a cerca de 2 horas de Díli, ficámos apeados. O Miguel foi com um aluno e com um pneu, à procura de uma oficina. Entretanto, as senhoras do grupo, lealmente, apanharam uma boleia e voltaram a casa sozinhas, enquanto o resto do pessoal lá ficou a torrar ao sol à beira da estrada.

Algum tempo depois, há uma visão estranha no horizonte…

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Um problema resolvido. Claro que logo depois descobrimos que o macaco do jipe estava avariado!…

Com muitas horas de atraso, e depois de pararmos para reparar o pneu sobresselente, lá chegámos a Díli, . Estacionámos o jipe, começámos a descarregar a tralha e a preparar-nos para um merecido descanso, quando furou outro pneu…


Ao vivo e a cores

30 30UTC Outubro 30UTC 2009

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Cá se vai andando

29 29UTC Outubro 29UTC 2009

Olá pessoal! Tenho andado afastado da internet, mas hoje deu para tirar uns minutos e actualizar as novidades de Timor.

A vida por cá anda calma. No fim-de-semana, e também no meu dia de folga, há sempre aquela escolha difícil – Praia da Areia Branca, Praia do Dólar, Praia dos Coqueiros, Praia de Taci Tolo… É mesmo cansativo… Estou a ficar com um bronze de categoria, mas quando voltar a Portugal, ainda me param no aeroporto para ver se não sou um perigoso terrorista.

Quanto às aulas, tudo normal. Na 2ª feira dei teste às minhas duas turmas. Quatro horas a olhar para os meus “meninos” e a tentar fazer cara séria, não fosse alguém pensar em copiar.

Já estou a fazer as correcções e, numa das turmas, entre algumas pérolas do Direito, vou dar quase 50% de negativas… Sinto-me mesmo um professor formado na gloriosa FDL… O que vale é que a outra parece estar um bocadito melhor.

Este fim-de-semana, como o dia 2 é feriado em Timor, temos mais uma das nossas expedições, desta vez com subida ao Matabian. Vamos trocar a nossa carrinha por um Pajero e, enquanto alguns bravos fazem a escalada, o Miguel e eu vamos fazer um bocado de todo o terreno, deixando os alpinistas numa encosta e, se tudo correr como previsto, apanhando-os na outra. Pelo meio, estamos a contar com um acampamento no meio do mato e, talvez, uma visita às cerimónias fúnebres da avó de um aluno do curso de Informática (não estou a gozar…)

Entretanto, e para quem acompanha o blog Por Ti Mor, já sabe que andamos a pontuar as boleias que cada um de nós apanha. Infelizmente, o regulamento do jogo não se aplica retroactivamente, porque já tenho no “currículo” um jipe da polícia da UN, a caixa de carga de uma pick-up da UN, a caixa de carga de um camião das obras, um jipe com uma das misses locais a bordo, uma mikrolet, um jipe de um deputado… Nada mau.

O Santo Gral das boleias é apanhar um helicóptero militar, à noite, com o Presidente da República a bordo, e com uma das misses locais ao colo – 27 pontos. Mas como sou mais modesto, um dia destes quero ver se venho da praia num camião do saneamento público, ou numa retro-escavadora. Eu sei, são divertimentos de gente simples, mas é o que se arranja por cá…

Até ao meu próximo post, fiquem bem!


Por mares nunca dantes navegados (parte 2)

18 18UTC Outubro 18UTC 2009

E já está! Já sou um mergulhador certificado.

Este fim-de-semana fiz os 4 mergulhos de mar (o mais profundo foi a 18,5m) e acabei os testes, portanto já sou “Open Water Diver”… É mais um curso para o currículo.

Agora é recuperar, melhorar um bocado a forma e, talvez daqui a uns tempos faça o nível Avançado (certificação até à profundidade limite de 40m), porque isto vale mesmo a pena, sobretudo em Timor, que é um dos melhores locais do mundo para o mergulho.

Infelizmente não tirámos fotos, mas como ainda temos mais um mergulho de mar de oferta, ainda devo conseguir pôr aqui umas imagens da minha figura elegante num “wetsuit”…


Por mares nunca dantes navegados

16 16UTC Outubro 16UTC 2009

Não, ainda não é desta que deixo aqui o relato da minha difícil subida ao Ramelau.

Tenho andado ocupado com as aulas na UNTL (claro), mas também, e para quem não sabia, com as aulas de mergulho. As aulas teóricas estão feitas, e o treino em piscina também (nem imaginam o quão elegante eu fico com um fato de mergulho completo…).

Amanhã começam as provas de mar, na zona do “Dili Rock”. Estou cada vez mais perto de ser um “Open Water Diver” certificado!

Por isso já sabem – se eu não escrever nas próximas semanas, enviem flores…


O horror…

11 11UTC Outubro 11UTC 2009

Nos últimos dias não me tem sido possível actualizar o blog, em parte devido ao preenchimento da minha agenda, mas também, e sobretudo, pelo choque com que tenho recebido certos (e determinados…) comentários quanto à suposta qualidade da vida que tenho aqui em Timor.

Com0 calculam, para evitar ferir susceptibilidades, e para poupar preocupações desnecessárias à minha família, certas (e, mais uma vez, determinadas…) informações têm sido ocultadas. Pois hoje o verdadeiro horror vai ser posto a nú.

Em primeiro lugar, a insegurança é permanente, e por isso só nos deslocamos em caravana, com escolta das Nações Unidas.

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IMG_3467O “Grande Irmão” está sempre vigilante…

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O ambiente é opressivo, e os cemitérios cobrem as colinas…

IMG_3067As supostas praias paradisíacas têm água gelada. O Miguel, apesar do cobertor, não se salvou da hipotermia…

IMG_0819Todas as viagens, por mais curtas que sejam, implicam elevados sacrifícios. É preciso atravessar obstáculos inesperados…

IMG_2985 E frequentemente a estrada desaparece sobre os nossos pés (ou rodas)…

IMG_0811Isto claro, quando não é cortada por manadas de búfalos (o que não é mau de todo – podemos comer os que atropelamos).

IMG_0767Quando não temos a sorte de matar um búfalo ou um cabrito, temos que nos contentar com o peixe que conseguirmos apanhar.

P9200204À noite temos que partilhar um quarto e dormir no chão, à mercê dos insectos e das cobras.

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Tudo isto dá cabo de uma pessoa… Eu afogo as mágoas no álcool. A Eliana, uma das minhas colegas de casa, já sucumbiu ao tabaco (ou pior, quem sabe…)

P9240194E por aqui fica a minha triste história de hoje.

Nos próximos capítulos, não percam:

- Praia do Dólar (ou como um helicóptero da Guarda Costeira Australiana se divertiu a fazer rapadas por cima de banhistas portugueses indefesos)

- Subida ao Ramelau (ou como escalar montanhas apesar de ter “complicações digestivas”…)

- Festa da GNR