Ora cá está o muito aguardado relato de mais uma viagem por terras de Timor.
O fim-de-semana por cá foi prolongado – o dia 2 é feriado – e os timorenses fizeram-se à estrada para visitar os cemitérios. Para não ficarmos atrás, preparámos uma das nossas expedições.
Três professores, guiados por outros tantos alunos de informática, não satisfeitos com a experiência do Ramelau, decidiram subir ao Matabien. Eu e o Miguel, que tratámos de nos informar primeiro sobre as condições, achámos que era mais inteligente fazer um passeio de todo-o-terreno, enquanto servíamos de taxistas.
A rota foi traçada – Díli, Baucau, Laga, Lautém, Los Palos, Iliomar, Huato Carbau, Baguia e regressar a Díli. Como o troço de Los Palos até Huato Carbau faz parte da famosa estrada Viqueque-Los Palos, considerada mais ou menos intransitável durante todo o ano, e intransponível na época das chuvas, trocámos a nossa carrinha por uma montada mais capaz, e carregámos o equipamento de desatascanço.


Depois de deixarmos os alpinistas em Baucau, onde apanharam uma mikrolet para Baguia, lá seguimos caminho. A zona sudeste da ilha merece claramente o passeio. Tem algumas das paisagens mais bonitas (e mais variadas) de Timor, alternando montanha com planícies e arrozais e também, finalmente, rios com água.




Quanto à estrada, digamos que é um bocado pior que as portuguesas…

Normalmente não tem alcatrão, só gravilha ou pedras. Existem algumas pontes novas, mas muitas são apenas um amontoado de calhaus que ajuda a passar o rio a vau. Também há algumas, muito “seguras”, que são feitas com troncos… Um aluno, deputado no Parlamento, e que também andava por aquela zona, disse-nos ontem que uma das pontes que atravessámos caiu umas horas depois da nossa passagem…

Voltando ao tema dos rios, descobrimos um espectacular – o Irabere. Antes de chegar a Huato Carbau deu para tomar um excelente banho com um elemento raro em Timor – água fria.

Quanto reencontrámos os nossos colegas em Baguia, um dos alunos que estava a servir de guia disse-nos que havia crocodilos naquele rio, e que um familiar dele tinha sido morto há uns tempos. Obviamente pensámos que ele estava a gozar. Afinal os crocodilos não vão até tão longe no interior, subindo às montanhas, para caçar junto de uma localidade onde havia putos a nadar e senhoras a lavar a roupa, certo?… O tal deputado confirmou a informação…

Em Baucau, onde dormimos na pousada local, há uma praia excelente…


Mas, mais uma vez…

Pelos vistos deu à costa há uns tempos um braço e uma perna! Tomar banho em Timor é uma emoção.
No último dia estávamos prontos para um regresso tranquilo a Díli… Ou talvez não.
Um dos pneus tinha ficado sem ar durante a noite. Como tivemos outro furo quando estávamos a cerca de 2 horas de Díli, ficámos apeados. O Miguel foi com um aluno e com um pneu, à procura de uma oficina. Entretanto, as senhoras do grupo, lealmente, apanharam uma boleia e voltaram a casa sozinhas, enquanto o resto do pessoal lá ficou a torrar ao sol à beira da estrada.
Algum tempo depois, há uma visão estranha no horizonte…

Um problema resolvido. Claro que logo depois descobrimos que o macaco do jipe estava avariado!…
Com muitas horas de atraso, e depois de pararmos para reparar o pneu sobresselente, lá chegámos a Díli, . Estacionámos o jipe, começámos a descarregar a tralha e a preparar-nos para um merecido descanso, quando furou outro pneu…
Publicado por João Albuquerque 











Publicado por João Albuquerque
Publicado por João Albuquerque 
O “Grande Irmão” está sempre vigilante…
As supostas praias paradisíacas têm água gelada. O Miguel, apesar do cobertor, não se salvou da hipotermia…
Todas as viagens, por mais curtas que sejam, implicam elevados sacrifícios. É preciso atravessar obstáculos inesperados…
E frequentemente a estrada desaparece sobre os nossos pés (ou rodas)…
Isto claro, quando não é cortada por manadas de búfalos (o que não é mau de todo – podemos comer os que atropelamos).
Quando não temos a sorte de matar um búfalo ou um cabrito, temos que nos contentar com o peixe que conseguirmos apanhar.
À noite temos que partilhar um quarto e dormir no chão, à mercê dos insectos e das cobras.
E por aqui fica a minha triste história de hoje.









Entretanto, comprámos equipamento profissional de som, para dar música ao Bairro inteiro (e não só…)
Como estas coisas precisam de uma certa dose de formalidade (acima de tudo, somos professores! Não podemos passar a ideia errada aos Timorenses…) fomos vestir o fato de gala.














Não se consegue ver na foto as fogueiras onde queimam o lixo…
Tem música ao vivo e tudo…